segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os colegas, de Lygia Bojunga


Gostoso, delicioso. São esses os adjetivos ideais para os livros de Lygia Bojunga. E para este "Os colegas" não é diferente: uma história bonita, escrita na prosa viciante da autora.
Os colegas do título são os cães Virinha, Latinha, Flor-de-Lis; o coelho Cara-de-pau e o urso Voz de Cristal. A história começa com Virinha e Latinha, então desconhecidos, atracando-se por um velho osso, para em seguida, iniciarem uma parceria. Aos poucos, surgem os outros, cruzando os caminhos e se juntando. Logo o grupo se forma: cinco caminhos cruzados. Cada um com uma história diferente, mas em comum, o desejo de ser livre e feliz. É isso que os une, por isso eles são colegas.
Lygia trabalha com grandes temas que permeiam toda a sua obra: a liberdade, o dilema inépcia versus ação, a luta, o sonho. Todos eles estão presentes em obras como "O sofá estampado" ou "A casa da madrinha". O ato de lutar e vencer os medos é uma bandeira que percorre toda a obra de Bojunga, inclusive em "Os colegas". Eles passam por muitas dificuldades e infortúnios. Vencê-los é a missão desses colegas. Desses amigos.
A prosa é viciante pois é escrita numa linguagem muito moderna. Só Bojunga consegue prender seu leitor de forma tão vibrante: um capítulo puxa o outro, palavra puxa palavra. A linguagem é simples, leve, sem deixar de ser elaborada e inteligente.
Livro recomendado para todos. Delicinha da colega Bojunga.


;)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A arte de frequentar sebos

esse texto foi publicado pela primeira vez no Palavras Mortas. Posto ele novamente, e aqui, por dois motivos: o primeiro é pouco tempo para uma postagem nova. Logo entro de férias e a coisa melhora. E segundo, ficou uma crônica bem legal, que na ocasião foi lida apenas pelo Ítalo, acho. Era início do blog. Enfim, vamos ver se mais alguém lê agora. haha. abraços



O sebo é aquele lugar onde livros usados são comercializados. Vendem-se, trocam-se e compram-se livros, além de revistas, jornais, CD's, discos e qualquer coisa usada que ainda tenha utilidade. Curioso, fui atrás da origem da palavra sebo. Num blog, encontrei uma explicação bem convincente: "O nome sebo vem do tempo em que não havia ainda energia elétrica e as pessoas liam a luz de velas amarelentas, sujando de gorduras os livros."¹
Para mim, o nome é perfeito. Eu leio em todos (com raras exceções) os lugares e em todos os momentos: no ônibus, andando na rua, na fila do banco, inclusive durante as refeições. Por isso, minha biblioteca está repleta de livros ensebados. Duas vezes ensebados: primeiro por que comprados em sebo, e segundo por terem manchas de gordura, chocolate (e café, então, quase todos!) e outros comes e bebes.
Voltando aos sebos... na minha opinião, frequentar sebos é uma arte. Obviamente, é muito fácil frequentar um: entrar,olhar, folhear livros e comprar, caso tenha vontade. E dinheiro, é claro!
Arte é uma metáfora. Quero dizer que, para um viciado em sebos (e esse blogueiro é um caso típico) há muito mais do que folhear. Visitar um sebo exije muita técnica e perícia, se você está interessando em livros bons e raros.
Abaixo, algumas dicas. (experiência própria!)A primeira delas você já sabe de cor: pedir desconto.
Quanto menos organizado o sebo, melhor. Maior será a chance de você encontrar coisas boas. Coisa boa significa livro bom e barato. Afinal, a maior parte das pessoas querem as coisas à mão, não tem ânimo pra ficar remexendo em pilhas e estantes. Mas não você! Porque você é mais um viciado em livros e não se cansa de vasculhar.
Como se sabe, as pessoas mexem nas prateleiras, e poucas delas arrumam a bagunça que fazem, afinal tem funcionários para fazer isso (humm...que pensamento mais folgado). Por isso, se você está atrás de um bom livro de poesia, não deve restringir sua busca à seção poesia; olhe nas outras também: Psicologia, Medicina, Sociologia, mas principalmente as outras seções literárias, como Contos ou Romances. Nesses é frequente a mistura de gêneros. Por isso, a ordem é vasculhar!
Bem, se você encontra um livro muito interessante, objeto de seu desejo, mas no momento em questão não dispõe de dinheiro suficiente para comprá-lo... não se estresse! Ninguém vai levá-lo antes de você arranjar o dinheiro. Porque você, como sabemos, é um viciado em sebos e sempre dá um jeitinho. E esse jeitinho consiste em esconder o bendito livro. Exemplo: lá está paradinho, digamos, um livro de poemas do Fernando Pessoa. Já que você não tem dinheiro, seja ágil: retire o Fernandinho da estante e coloque-o lááááá.... eu disse láááá longe. Na última prateleira do sebo, naquela mais abandonada. De preferência, escondido entre dois livros volumosos. OU então, bote ele em outra seção.. que tal botar entre os livros de culinária? Assim, quando você voltar com a grana, é só buscar o livro onde deixou. Obviamente, você não pode esquecer onde colocou o bendito. Era só o que faltava! Fazendo tudo certo, a chance de você fazer com sucesso essa "reserva especial" é de 99%. Só 99, pois o outro 1% é para o caso de existir um chefe de cozinha, ou estudante de gastronomia que seja também (nada impede) amante de Fernando Pessoa. Mas aí seria muito azar... pensemos positivo!
Por hoje é só. Em breve mais dicas para os viciados em sebos. Um vício, por sinal, que é bem leve, já que não leva o sujeito à morte como fazem outros tipos de vícios.
Pode levar à pobreza (e como leva!), mas.. fazer o que... é mais forte que nós...

Até!


Notas Inúteis:

¹ Extraído de http://www.portalcostanorte.com/editorias/Geral/68148.html, em 19/07/09 às 19:51 hrs.

domingo, 29 de novembro de 2009

Marco e as três Marias



Eu e a Daia assistimos ontem à peça "Marco" lá na Ajote. O espetáculo dirigido por Samuel Kuhn é uma adaptação de "O livro de Marco" do escritor goiano Flávio Carneiro. Ficamos surpreendidos. Nós lemos o livro antes da peça e nos perguntávamos como alguém conseguiria encenar o livro. Parecia dificílimo (e deve ter sido). Mas o fato é que a Cia. Rústico deu um show.
No livro de Carneiro, é o próprio Marco quem conta sua história. Numa casa à beira do mar, Marco, já homem feito, começa a relembrar seus tempos de menino, o tempo em que fez as suas primeiras viagens em busca das estrelas cadentes. Seu pai, seu avô, seu bisavô...todos empreenderam viagens atrás das estelas cadentes. Marco conta sua história. Um dia chegou sua vez, e ele foi viajar. O livro é o relato de 3 estrelas conquistadas por Marco. Na primeira viagem, Marco está cheio de temores e questionamentos. Não sabe se vai ou se fica. Lembra dos conselho do pai sobre como encontrar e lidar com as estrelas, mas não consegue seguir todos. É impaciente, ansioso. É uma criança que de repente é apresentada ao mundo. Com a ajuda dos conselhos do pai e depois de muito andar, Marco encontra a primeira estrela. E estrela cadente quando cai na terra vira menina. O encontro com a primeira menina deixa Marco extasiado, hipnotizado. O encontro é rápido, mágico. Mas o suficiente para mexer com o coração de Marco. O menino a encontra dormindo. Ela acorda, trocam olhares (e ele tímido, perdido). Então ela sorri (e isso é tudo que basta para Marco, nesse momento). Logo ela adormece. Todo viajante que encontra uma estrela, dá um nome a ela. O menino não teve dúvida: seu nome era Maria. Adormecida novamente, é hora de partir. Partir ou ficar? Marco tem dúvidas. Mas seu destino parece escrito. Ele arrisca seguir viagem e acerta. A primeira Maria fica guardada no coração de Marco. Fugaz.
O que eu e a Daia achávamos difícil, era transportar toda essas imagens ricas do livro de Flávio carneiro para o palco. Como fariam isso? Ingenuamente, eu e Daia não conseguíamos pensar de que forma um único ator conseguiria contar a história, sem a ajuda de vários recursos. E eles conseguiram. O ator Vinícius da Cunha (ótima atuação) é Marco na peça. O início da peça é calmo, sereno. Afinal, Marco está olhando para seu passado, percorrendo lembranças. Logo percebemos a linguagem que a Cia Rustico escolheu para contar a história: gestos. Muitos gestos. Gestos que, combinados com uma trilha sonora e uma iluminação fantástica, resultaram numa das peças mais belas que vi. É coisa que não cabe no papel. Só vendo mesmo para entender. O ator, encarnando Marco, conta a história, ora no ritmo da música,
ora dialogando com a iluminação.
Aliás, a importância da luz e do som fica ainda mais clara na segunda viagem de Marco. Depois da primeira emoção (a descoberta), o primeiro contato (fugaz e estonteante), Marco está sedento por encontrar uma nova estrela. Uma nova Maria. Antes de encontrá-la, Marco tem um sonho: ele, correndo dentro do vulcão, cercado por um fogo que não queima (lembrou o fogo que arde sem se ver do camões, né?). No fundo do corredor, uma porta negra. No topo da porta, uma estrela. E Marco, no sonho, corre, corre e não alcança a porta. Em dado momento, a porta se abre e ele vê uma menina (é maria!). E ele corre, e ele corre e não alcança. Então, acorda de seu sonho. Seria mesmo dentro de um vulcão que Marco encontraria a segunda estrela. A metáfora das transformações da adolescência chega aqui em seu ápice (mas não fim): é a paixão, o fogo, o calor, o sonho erótico, a tentação. É o mundo todo explodindo na cabeça e no corpo de Marco. Nessa cena, Vinícius da Cunha ferve como Marco, as luzes dançam, vermelhas-amarelas, e piscam, e há fumaça, e a música techno bate e bate, e Marco corre e corre, e Maria pega em sua mão, e o calor aumenta, ele se sente bem, o coração bate e bate, as luzes dançam, e Marco dança, dança vermelho, calor calor. É a paixão no coração, paixão amarela. E Marco mergulha de cabeça e sem medo no fundo do vulcão. Paixão. A segunda estrela, a segunda Maria também se vai e fica guardada no coração de Marco. Ardente.
Marco, caminhando em busca da terceira estrela, começa a pensar que ele tem um passado. Sim, ele tem. Não é mais o menino que mora nas histórias contadas pelo pai. Ele tem agora a sua história. Depois do susto descoberta, da eletricidade da paixão... Marco caminha com o coração limpo para sua terceira estrela. Perto do mar, ela cai. Marco caminha muito. Chega à praia exausto e deita-se na areia e adormece. Então, sente uma presença. Alguém lhe acaricia. Ele não precisa ver quem é: é Maria. É quem ele tem buscava ao longo de todas as suas viagens. Maria pergunta a Marco se ele faria algo para sempre. Marco titubeia. Do que ela fala? Acha que diria não. Mas logo percebe que ela, a Maria, é a estrela dele. É o que ele buscava por toda as milhas caminhadas. É seu porto. seu céu. É Maria. Sua terceira Maria. É sua constelação: 3 marias. A terceira Maria parte, mas parte com Marco. Para sempre. A terceira maria. Amante.
Vou me repetir, mas preciso dizer novamente que fiquei encantado, maravilhado com tudo. Com o trabalho de Vinícius da Cunha, que além de encenar muito bem, foi o responsável pela pesquisa dos gestos do persinagem. Vinícius não contou simplesmente com o gogó a história. Cada palavra tinha um gesto seu. O corpo dele contou a história também. Em certos momentos, Vinícius abriu mão das palavras. A plateia já estava familiar com suas expressões corporais e compreendeu. O corpo do ator falando.
Devo também assinalar a bela direção de Kuhn. Essa peça foi uma sintonia perfeita
de linguagens: o corpo do ator, a voz do ator, a música de fundo, a luz. Tudo. Maravilhoso. E é claro, encantador também é o livro de Marco, que gerou a adaptação. Flávio Carneiro construiu uma história belíssima e muito sensível para desenhar a adolescência com todos os seus componentes. Todos os seus medos e desejos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O rapaz que não era de Liverpool



Vencedor da primeira edição do prêmio Barco a vapor (2005), o livro de Caio Riter conta a história de Marcelo, adolescente que numa aula de biologia descobre que é um filho adotivo. Surge então uma enxurrada de sentimentos: raiva, medo, angústia. o Adolescente desmancha em perguntas: e as suas origens? e seus pais verdadeiros? Por que seus pais (seus pais?) não contaram a verdade desde o início?
Essa revelação surge logo no início do livro. Na sequencia surgem várias cenas da vida de Marcelo. Vai-e-vens no passado: fragmentos da vida do menino. Marcelo tem pais, uma namorada e irmãos amorosos. Mas a reveleção lhe enche de conflitos.
O menino é fã dos Beatles - Herdou a paixão do pai (pai). Na parede de seu quarto, uma curiosa montagem (que é uma metáfora construída com muita felicidade por Riter): Marcelo montou um painel da famosa foto do quarteto atravessando uma rua em Londres, em fila indiana, capa do disco "Abbey Road".
Na montagem, Marcelo pôs os 5 atravessando: o pai, a mãe, ele e os 2 irmãos. Mas após o choque, a descoberta (a mãe revela a ele de forma direta, assim como foi a pergunta do jovem - "Mãe, eu sou seu filho? - Não, não é"), após essa descoberta ele recorta o quinto personagem da foto. Afinal, os Beatles sempre foram 4. Marcelo sente que sobra, que é um intruso na exatidão do quarteto composto por pai e mãe e os 2 filhos. Na foto do disco só há 4. Ele está de fora, não pertence à família: O rapaz que não era de Liverpool.
À raiva e desespero iniciais, Marcelo vai substituindo pelo silêncio e pela reflexão. Ao longo do livro, através das várias cenas da vida de Marcelo (contadas por ele mesmo), o leitor vê (e Marcelo também) o quanto ele é amado por sua família. Compreende o erro dos pais por não terem contado antes. Temos um final feliz.
Caio Riter, abordando um tema muito delicado, não ousa muito. Apresenta o baque e a inquietação esperados de todos aqueles que, de repente, descobrem isso e dá um final feliz à história. No entanto, ao optar em fazer o relato pela voz do próprio Marcelo, o autor assume o risco de soar inverossímil. Mas Riter representa muito bem a linguagem escrita do adolescente, permeada de perguntas e vazios, traduzindo bem os sentimentos de Marcelo. Trata-se de uma história simples, mas bem contada, com uma linguagem simples, mas que não é pobre. Afinal, como diz sua professora, Marcelo escreve muito bem. Por que não contar, num livro, a sua história?
Como leitor, não gosto muito de finais felizes. Mas os finais felizes acontecem, não é? E é preciso que alguém os conte.

REFERÊNCIA:

RITER, Caio. O rapaz que não era de Liverpool. São Paulo: Edições SM, 2006.

Obs: Na contra-capa do livro, há uma indicação de idade. (12/13 anos - Leitor crítico). Foi nessa categoria que Riter foi vencedor do prêmio.

sábado, 14 de novembro de 2009

Apenas um curumim, de Werner Zotz




Toda história que nos é contada exige atenção. O leitor/ouvinte precisa entrar no jogo que o autor promove, e isso se faz entregando-se à história, com cumplicidade e atenção. E há histórias que exigem, além da atenção, uma profunda reflexão. Pedem a reflexão de quem lê/ouve porque falam a eles e sobre eles. Um exemplo disso é esse livro de Werner Zotz. Ao falar da triste história do povo indígena que é dominado pelo povo caraíba, perdendo sua cultura, e da tentativa de alguns de resgatá-la, o autor fala da nossa histórias. Nós, os brasileiros. E mais do que isso: através das reflexões do velho pajé e das inquietações do jovem Jari, Zotz nos mostra o homem em si. Seus medos, desejos e suas buscas interiores. Nós, os homens.
São dois personagens, o velho Tãima, último remanescente de uma tribo que um dia foi unida e livre, celebrando seus costumes, e que cedeu às mentiras e imposições dos caraíbas, os homens brancos. E há também o curumim, o menino Jari, que foi criado já com os costumes caraíbas, pois seus familiares estavam no grupo daqueles que adquiriram os hábitos dos brancos, incluindo suas formas injustas de trabalho. Assim, dentro de Jari havia um "índio morto". Tãima, o pajé resistente que luta pela manutenção de sua cultura, vê em Jari uma chance de que ele passe a ouvir sua "voz interior", para então fazer renascer o seu espírito índio. O curumim, desorientado, pois sem os pais (são mortos), segue Tãima. Não sabe o destino dele nem por que o segue. Seu coração está cheio de dúvidas, medos e inquietações. O fato dele seguir o pajé já marca a primeira vez que ele segue sua voz interior. Mesmo sem saber o que busca, o menino parte.
O caminho é cheio de dificuldades. O cansaço, o medo do caraíba e de suas armas, a fome, a incerteza: são provações que o menino passa em sua jornada. A seu lado, muito silencioso, o velho Tãima. A figura do pajé é a do sábio que muito viveu, logo muito sabe. E pouco diz: um homem de silêncios. Fala apenas o necessário. Espera sempre a atitude do curumim: deixa o menino pensar e agir, para só depois comentar, quiçá repreendê-lo com algum ensinamento. Afinal, é o curumim quem tem que descobrir a si mesmo, sua identidade. Só ele pode ouvir sua voz. O papel do sábio é, pois, de silêncios e ausências.
Nesse espaço, o curumim vai se tornando cada vez mais livres de suas angústias. Aos poucos, vai descobrindo qual é o seu caminho. Aceita a proposta do pajé de procurar outra terra e encontra o caminho. Já é outro menino: um índio guerreiro, agora, pois aprendeu aprendeu a ouvir sua voz interior. Aprendeu a refletir.
Vendo a evolução do menino, o velho percebe que com seus seus ensinamentos e seus silêncios ele cumpriu sua parte. Agora é hora de sua ausência. Sabe que é chegada a sua hora. Morre feliz. Morre sabendo que Jari torno-se outro menino. Um índio guerreiro, cônscio de sua história, que aprendeu a sua voz interior e aprendeu a refletir.
Através de um tema sério (o choque violento de duas culturas), Werner Zotz nos conta uma história universal: o homem que busca sua voz interior. O homem que precisa renascer. Olhar para seu passado. Recuperar sua identidade.
Toda história exige atenção. E esta de Zotz, que fala a nós - homens -, que fala da nossa história, esta história cala fundo no peito. O livro todo é um dialógo entre os dois, o menino o velho, as duas gerações. Num capítulo a voz é de Tãima, noutro é de Jari. Uma grande história numa linguagem muito simples: não havia melhor modo de construir esse enredo que nos faz olhar para a nossa história e para nós mesmos. Essa história exige cumplicidade e atenção.
Estive pensando: cumplicidade e atenção do leitor... não foi com isso também que o curumim conseguiu entender seu passado e descobrir sua voz interior? Sim, o livro de Zotz faz como o pajé: mostra nossos erros. Mas não diz o que devemos fazer para consertar tudo o que foi feito de errado. Isso depende de cada leitor.
O livro falou, contou uma história. Ouvi sua voz como um curumim. E gostaria que outros ouvissem essa voz.

REFERÊNCIAS:

ZOTZ, Werner. Apenas um curumim. 13 ed. Ed. Nórdica. 1979

*Ou seja, a edição em que se baseou essa resenha não é a mesma da ilustração acima, pois não encontrei a foto dessa de 1979.

domingo, 8 de novembro de 2009

Cardume de nuvens, de Caco de Oliveira



Nesse fim de semana, tive o prazer de adquirir e ler o livro "Cardume de nuvens", do poeta joinvilense Caco de Oliveira. Já escrevi sobre ele numa postagem recente do Palavras Mortas. Caco é uma das figuras mais representativas da cultura joinvilense e catarinense (falo isso sem querer reduzí-lo a esse limite). Sua obra reflete-o: uma obra muito sensível e original, como o seu autor. "Cardume de nuvens", um livro com uma bela edição da Letradágua segue o estilo dele, que é hábil em textos curtos, especialmente os haicais. O haicai é um tipo de poema originário do Oriente, são poemas compostos por poucos versos e que primam pela concisão. E Caco prima pela concisão e pela simplicidade: fala muito em poucos versos, como demonstra esse haicai que inspirou o nome do livro:

"No fundo da lagoa
um cardume.
Nuvens e peixes."


A inspiração do livro foi a cultura nipônica. O livro foi publicado em 2008, ano do centenário da imigração japonesa no Brasil. Boa parte dos poemas tem essa temática, embora Caco discorra sobre muitos outros assuntos. Como ele mesmo se assume, Caco é um poeta do cotidiano: um sentinela atento a todos os movimentos. Desde à loucura automatista da vida urbana, até aquele canto mais silencioso da cidade:

"dentro do grilo
acorda um violino"


Alguns poemas são verdadeiras fotografias: o poeta capta um instante e o eterniza:

"Borboleta molhada de orvalho secando no varal"

enquanto outros sugerem movimento num espaço de tempo:

"lagarta faminta, sobrou o esqueleto da folha"

ou ainda, uma ação sem espaço de tempo definido, pois ligada à memória:

"No cemitério de azulejos
pedacinhos de lembranças
das paredes da cozinha"



Enfim, falar da sutileza dos poemas "Cardume de nuvens" é redundante após ter reproduzido alguns de seus muitos poemas aqui. Para terminar, deixo mais um pouco desse livraço:

"Pôr-do-sol,
a sombra agarra-se a mim
com medo de ficar só"



PS: Caco é carioca, não nasceu em Joinva, mas aqui está radicado há muitos anos construindo sua obra, e portanto ela pode ser atrelado à literatura produzida em SC/Jlle.

domingo, 1 de novembro de 2009

O cinema em Joinville

Leio uma grande verdade numa reportagem do jornal Notícias do Dia: o que não falta em Joinville são opções para apreciadores do cinema. Além das salas comerciais nos dois maiores shoppings, a sétima arte também pode ser celebrada em outras quatro instituições que contam com projetos muito legais. Há os ciclos de cinema da Fundação Cultural, lá na Cidadela (todo sábado!). Há as mostras de cinema promovidas (e bem divulgadas) pelo SESC joinville. Há a mostra de cinema paralelo na Udesc (no corredor do bloco F) e há também o Club de Cinema no auditório do Bom Jesus Ielusc.
Dia desses falei que a cidade de Joinville é muito cultural. Mas pode ser mais. A literatura, me parece, é uma das mais celebradas: há bons escritores e há espaço para eles nos sites, blogs e também nas publicações com o apoio governamental (através dos editais de apoio). O Teatro se concentra basicamente nos teatros do SESC e da Ajote. Há peças (mas essas são, digamos, mais comerciais que artísticas - em sua maioria). Outras artes, como a fotografia e as plásticas, são apresentadas em exposições em museus (pouco visitados), shoppings e outros locais. Pode melhorar. E o cinema também: lugares não faltam. Falta só atitude.
O povo de Joinville, tão cultural, precisa se mobilizar para ir de encontro ao que aqui é produzido. Os cinemas comercias e são caros e exibem filmes que, por vezes, decepcionam os espectadores. Fato que não ocorre nas 4 mostras acima citadas: são filmes, em geral, antigos ou então novos, mas alternativos. Em compensação, a qualidade é certa. Filmes que nos fazem pensar, que promovem discussões e, lógico, muitas reflexões dos espectadores. E grande detalhe: nessas 4 iniciativas as entradas são gratuitas. Gratuitas!
Vamos ao cinema, Joinville!


PS: Em breve (2010), ocorrerá o lançamento daquele que será o maior shopping da cidade, o Joinville Garten. A previsão é de que ele possua 8 salas de exibição (da empresa GNC, a mesma do Müeller. Que tantas salas não se restrinjam aos enlatados americanos. Que contemplem bons filmes (americanos, pode ser é claro), com bons roteiros, bem como, que contemplem os filmes brasileiros. Muitos deles, hoje, nem chegam à cidade. Ou então, permancem por míseros dias em cartaz. É esperar pra ver.

domingo, 25 de outubro de 2009

"Dois perdidos numa noite suja ou O riso da desgraça alheia"

Final de semana passado, eu e a Daia matamos uma adorável aula de latim para assistirmos à peça "Dois Perdidos Numa noite suja". Já havia lido o texto antes. A montagem sem erros do texto clássico de Plínio Marcos foi fruto da parceria de dois grupos: A Cia. Rústico e a La Trama. Em cena, dois ótimos e experientes atores, o Cristóvão Petry (Tonho) e Samuel Kuhn (Paco). A Daia preferiu a interpretação de Kuhn. Eu também, mas isso é uma coisa difícil de medir, pois o personagem de Kuhn, Paco, é o mais enérgico e ativo e nele se concentram mais as ações. Tonho é o que vai guardando, guardando as mágoas, até que no final explode. Talvez por isso a impressão de que Petry tenha uma atuação discreta. A verdade é que ambos mandaram muito bem e nós adoramos a peça. A história da peça é o que eu costumo chamar de soco no estômago: à sua frente, o ser humano, debatendo-se em sua angústia, agarrando-se em fiapos de sonhos futuros bem frágeis.
Ambos são carregadores de peso no Mercado Público. Miseráveis, dividem um quarto numa espelunca. Esse é o único cenário da peça. Ficamos sabendo dos outros eventos através das conversas dos dois, todas elas são à noite alta, quando os dois voltam da lida diária. Em cena o homem e seu desespero.
A esses atos de desespero, a platéia reage muitas vezes com risos. Como se fosse engraçada a desgraça de Paco e de Tonho. Um, querendo incomodar o outro, solta tiradas irônicas para o outro: a platéia cai na risada. Se ela se colocasse no lugar do personagem, sentiria - ao invés de graça - muita dor. Desespero, solidão, angústia. Nunca compreendemos isso no coração dos outros. Só quem sente sabe.
O desespero dos dois personagens se concentra no sapato de Paco, que por isso ganha muita simbologia na peça. Paco desde que mostra seu "pisante novo" a Tonho, passa a dedicar cuidados extremos e obssessivos ao sapato. Empolga-se ao falar dele (único objeto de valor que ele possuía), a ponto de "idolatrar" o próprio sapato. Além disso, provoca Tonho, insistindo incessantemente que o companheiro de quarto tem inveja de seu calçado, já que o de Tonho é todo feio e furado. Ao mesmo tempo, Tonho insiste (também o faz incessantemente) para que Paco empreste o seu sapato a ele, nem que seja por um dia, pois acredita que basta um bom sapato para tornar-se apresentável por aí, e assim conseguir um emprego melhor (funcionário público é o seu sonho). O absurdo da situação se concentra na insistência dos dois: ambos falam muito do sapato. Tonho insiste no pedido de empréstimo. Paco insiste nos gracejos, afinal, ter o sapato e não emprestá-lo a Tonho significa impedí-lo de crescer. A sorte de Tonho significaria a tragédia de Paco, pois este ficaria para trás, totalmente só. Daí a explicação para a constante raiva de Paco e seu desejo de que Tonho só tenha infortúnios. Ele pode afundar, mas que seja agarrado a outro, a Tonho. No fundo, Paco tem medo.
Paco mostra em sua fala que se entregou à realidade: apesar de dizer que toca flauta muito bem, e que se conseguisse uma poderia se dar muito bem na vida como músico, ele ao mesmo tempo, faz pouco para mudar tudo isso: concentra todo os seus esforços em diminuir Tonho. Não quer perdê-lo. Não quer ser perdedor. Paco se entrega: quer ser criminoso. Perigoso. Temido pela crueldade. Enquanto isso, Tonho resiste o mais que pode à toda forma de pressão do mundo. Abaixa a cabeça para humilhações, vai seguindo. Vai guardando. A angústia nada mais é do que esse doloroso guardar.
Ao final da peça, os dois numa tentativa de ganhar dinheiro, cometem um assalto. O desfecho estava escrito nas ações dos dois. Paco continua a se mostrar elétrico, com sua opressão chata, com a intenção de fazer o outro sofrer para sempre ali. E Tonho louco para sumir daquele lugar, daquela vida. Mas não consegue. Numa cena final eletrizante (a peça é toda de dialógos rápidos que te fixam na poltrona) vemos que Paco consegue seu objetivo: Tonho se rende àquilo. Mas Paco não vence. Ficam as duas tragédias. Não há espaço para vitórias. O destino dos personagens se reconfigura. A peça termina e a tragédia continua. Continua dentro dos espectadores/leitores. Diante deles, estavam eles próprios: o homem. O ser humano e suas baixezas. Não é comédia, não. A desgraça alheia é a nossa desgraça.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Em defesa do romance"

Pra quem gosta das ideias desse ótimo escritor peruano, tem um texto dele (parece bem interessante, ainda não terminei) na revista Piauí


té!

sábado, 17 de outubro de 2009

O irreverente Oswald

Vivo contando a minha paixão por Oswald de Andrade. Sei que ele não é o melhor poeta brasileiro (Drummond foi bem maior), mas é o meu preferido. Seu estilo pioneiro, ágil e irreverente sempre me encantou. Hoje posto uma entrevista de Oswald em 1954, seu último ano de vida (morreu em outubro). Essa entrevista tem aquela estrutura gostosa dos tempos antigos, em que o entrevistador descreve bem o clima da palestra, da situação e do humor do entrevistado. Aliás, Oswald (que trabalhou como jornalista no início de sua carreira) foi um desses grandes entrevistadores (tem uma com o Monteiro Lobato que é muito legal). Pois hoje as entrevistas são mais secas. Um breve resumo da vida do entrevistado (que se copia de algum lugar e cola na matéria) e pronto, já vêm as perguntas e respostas.
Ressalte-se também a experiência de Flávio Porto, o jornalista que colheu os depoimentos do velho Oswald. Sabendo do estilo piadista de Oswald, elaborou perguntas polêmicas, que davam margem ao saboroso bom-humor e mau-humor do poeta.
Bem, essa entrevista tem muitas referências a episódios antigos, entre as décadas de 20 e 50, como a semana de arte ou o governo de Getúlio, assim é difícil ter todas as referências para sacar as respostas-piadas (ele, o autor de ótimos poemas-piadas). Só acrescento que, quanto à duas críticas ao escritor José Lins do Rego, isso é por conta de uma troca de farpas que ocorreu entre eles através de jornais. Particularmente, discordo de Oswald quando se refere a Lins do Rego e Érico Veríssimo como 2 péssimos escritores. Pelo contrário, estão entre os melhores. Além disso, Oswald nunca foi um grande romancista e perde para os dois. Oswald foi grande (gigante!) em seus romances experimentais, o Serafim Ponte Grande e Memórias Sentimentais de João Miramar, enquanto nos outros romances, caiu num estilo bem fraquinho. Mas como o melhor de Oswald é a poesia (ali mora sua genialidade e pioneirismo), não me demorarei nas críticas de seus romances. Ah! E o José Lins do Rego escrevia muito sobre futebol na imprensa, e a raiva de Oswald se deve a algumas ideias de Rego de que ele discordava. Ah, só mais uma nota! O senador Chatobrioso, ao qual Oswald se refere na última respostada, nada mais é do que um jogo(Chateaubriand + brio) com Chatô, grande personalidade brasileira, que o deu um baile no castelo de Coberville, Paris, visando apresentar ao velho mundo a verdadeira cara do Brasil: povo de misturas e belezas (tais informações eu tiro de Chatô - O rei do Brasil, de Fernando Morais).

Enfim, chega de enrolação, vamos para a entrevista:

Entrevista de Oswald de Andrade a Flávio Porto, em 1954
Matéria publicada na revista eletrônica Tanto (www.tanto.com.br),
reproduzida sob autorização de seu editor, Luiz Edmundo Alves.
Matéria publicada em 01/06/2000 - Edição Número 10



Não foi difícil achar Oswald de Andrade; pelo telefone mesmo, disse-lhe do motivo pelo qual pretendia avistá-lo.

Trazia uma recomendação de Paulo Mendes Campos e gostaria de fazer uma entrevista. Ponderei-lhe que não tomaria muito de seu tempo. Já tinha as perguntas formuladas e, além do mais, (isso não lhe disse) ia com as idéias imbuídas num tópico do jornal Última Hora, publicado com certo destaque semanas antes de minha visita a São Paulo, onde li: "Deu cupim na cabeça do velhinho".

O velhinho era Oswald de Andrade.

Entrei no apartamento de Oswald (agora já o chamo assim), e encontrei-o bonachão em meio a alguns papéis escritos, esparramado numa poltrona.

– Sente-se e não me dê recomendação alguma; os jovens não precisam de recomendação para falar comigo, disse-me ele, deixando-me logo à vontade.

Conversamos longamente sobre coisas boas e ruins, e logo percebi que havia dado cupim era na cabeça de quem havia redigido a nota de Última Hora, pois o "irreverente" Oswald de Andrade era aquele mesmo homem inteligente e espirituoso de quem tantas vezes ouvi falar na casa – saudosa casa – de Álvaro Moreyra.

Falou-me da desesperança literária que o assaltou um dia. "Durante algum tempo no Brasil", contava-me, "a ausência de valores tornou-se de uma maneira tal, que quase suicidei-me literariamente. Mais tarde melhorou", prosseguiu, "surgiram elementos realmente de valor, apareceu poesia de Vinícius de Moraes, surgiu Paulo Mendes de Campo, Sérgio Milliet continuava a ser o maior informante do Brasil, produto de seus esforços como estudioso de tudo e de todos, e também fez versos muito bons por sinal. Havia ainda Cassiano Ricardo, Rachel de Queiroz e tantos outros que me ressuscitaram para a literatura, pois continuavam a produzir coisas boas, disse ele, desta vez já afastado de seu trabalho e com todas as atenções para o que me dizia. Não me refiz totalmente, porque o número de "picaretas" na imprensa e na literatura era tão grande, que seu analfabetismo fazia-me esquecer esses que, ainda, achava bons.

Um grande número de mulheres invadiu a literatura nacional, na sua maioria 'semi-analfabetas' fazendo movimento estéril.

Depois sim, melhorou e muito. Até mesmo nos menores setores, surgiram e continuam surgindo valores positivos." E aí desandou a citar nomes. Falou demoradamente e com grande entusiasmo de Millor Fernandes, o Vão Gogo, dizendo da sua capacidade de criar coisas novas, e todas boas. Comentou "Uma mulher em três atos", peça teatral de autoria de Millor, onde diz ter encontrado finalmente quem não escrevesse "bobagens". Demorou-se também falando sobre Tiago de Mello, em quem vê um bom poeta, que, apesar da bagagem literária que já possui, tem ainda capacidade de escrever muito mais, com tendências a melhorar. Falou sobre Geir Campos – "um grande estudioso", e deteve-se para dizer da grande importância de Paulo Mendes de Campos. "Paulinho faz tudo direito. Crônica, verso, ensaio, tradução e, se derem cinema para ele, garanto que vai fazer melhor que muito italiano idiota que anda por aí".

"Quanto a vocês", dizia isso referindo-se a mim, "vocês todos que iniciaram há pouco tempo a escrever, têm uma responsabilidade muito grande. No meu tempo, eu escrevia para um país de analfabetos, mas hoje todo mundo lê, todos se interessam pelo que se escreve por aí, em suma, o público está muito mais esclarecido, e há um número muito maior de pessoas escrevendo bem. Acredito que muitos vençam, muitos dessa novíssima geração."

E citou Darwin Brandão e Carlos de Oliveira como repórteres. Maria Karam como pintora e Millor Fernandes (qualquer setor).

Às seis horas da tarde – tinha um compromisso para jantar em Santos – entreguei-lhe as perguntas, que foram respondidas prontamente, e surgiu o clássico cafezinho acompanhado de uma verdadeira bateria de remédios que, por mais amargos que fossem, deviam saber-lhe doces, dado o carinho de quem os trouxera, esse monstro de simpatia que é a Sra. Oswald de Andrade. Um a um, ele foi tomando-os e comentou com um sorriso: "Tem gente à beça torcendo para que eu morra, mas os médicos estão de safadeza com eles. Cada dia eles inventam um negócio novo e, hoje em dia, eu estou quase perfeito".

A Sra. Andrade retirou-se sorrindo, e afirmando: "Esteja tranquilo Oswald, você não morrerá nunca".

No que, indubitavelmente, tem razão.


Entrevista de Oswald de Andrade a Flávio Porto

– Quais os livros essenciais à humanidade?
Não são, nem a Bíblia, nem o Alcorão, nem Margarida La Rocque.

– Onde gostaria de morar?
Em Paris.

– São Paulo é uma grande coisa?
Mezzo a mezzo.

– O que você acha de sua poesia? seus romances? suas idéias?
Não posso dizer, porque você não publica.

– Acha "O Cangaceiro" um bom filme?
É, sem dúvida. Quanto a Lima Barreto, há um engano. Não se trata de nenhum superego e sim, de uma super-égua.

– O que acha do Museu de Arte Moderna do Rio e de São Paulo?
Prefiro o do Rio.

– O que o mundo deve fazer entre os EUA e a Rússia?
Ficar com os dois.

– Conheceu Stephen Spender? Que achou?
Muito crescido.

– De quem foi a idéia da semana de arte moderna?
Do grande Di Cavalcanti.

– Você procurou fazer as pazes com Mário de Andrade?
Não.

– Qual o maior sociólogo brasileiro?
Eu.

– Quais os melhores e piores romancistas brasileiros?
Os piores são: o búfalo do Nordeste, José Lins do Rego, e o bem-te-vi do Sul, Érico Veríssimo. Mas, pior poeta há um só – Augusto Frederico Schmidt.

– Você se acha um homem justo?
Perfeitamente.

– Quais são os mais requintados imbecis do Brasil?
Pedro Calmon, Pedro Bloch e Nélson Rodrigues.

– Você acha que a Bienal vai ser um sucesso?
Não. O Sr. Cicillo Matarazzo já começou a fazer compadrismo, aquele incansável compadrismo que já fez do plagiário Di Preti um pintor conhecido.

– Que acha do Plínio Salgado?
Uma vaca.

– Getúlio é homem inteligente?
É.

– Qual o maior defeito da política brasileira?
Existir.

– Por que o Brasil perde os campeonatos de futebol?
Por causa do José Lins do Rego.

– Que escritores jovens você deportaria do Brasil?
Mandava o poeta Loanda voltar para Loanda. Ledo Ivo ia para a Oceania, de onde veio. O José Conde ficava porque não é jovem nem escritor.

– Que ministro você poria no Governo?
Josué de Castro, Gilberto Freire e Cassiano Ricardo.

– É capaz de definir a UDN em poucas palavras?
Não.

– Quais mulheres você acha que escrevem bem no Brasil?
Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Lúcia M. e Adalgisa Nery.

– Qual seria sua atitude se Getúlio desse um golpe?
Aderia.

– Acha que o samba melhorou?
Piorou.

– Alguma coisa melhorou no Brasil depois de 1930?
O salário e o custo de vida.

– Que acha dos auxiliares de Getúlio?
Quais?

– O baile de Coberville é um sinal de decomposição de nossas elites?
Não. Foi uma das raras coisas boas que fez o senador Chatobrioso.

******

NOTAS:

Na foto acima, Oswald está com filhos e com Maria Antonieta, sua última esposa, a quem Oswald dedicou um dos mais belos poemas que já li nessa vida: "Cântico dos Cânticos para flauta e violão". Imperdível!

FONTE:

O link é:
Acesso em 17/02/09, às 21:18.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

mais novidades teatreiras

Outra peça que estreiará em breve será "Marco", baseada no "Livro de Marco", do escritor goiano Flávio Carneiro.
A estréia da peça, que é da Cia Rústico Teatral será no dia 16 de Novembro.

Uma fato muito legal é que a cia. criou um blog para publicar a evolução da montagem da peça. Com informações e comentários dos envolvidos na elaboração da peça. Há fotos, comentários e vídeos.

Aos interessados, eis aí o link do blog Marco - Uma Cena Poética

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novidade na área

Leio no ANotícia uma boa nova para o povo que gosta de teatro: a peça "Dois Perdidos numa noite suja", de Plínio Marcos, um texto muito conhecido do teatro brasileiro ganhará uma montagem joinvillense. A montagem é fruto de uma parceria inédita entre duas companhias de teatro joinvilense: Cia. Rústico e La Trama.
A peça, aprovada pelo Mecenato 2008, estreiará dia 16 desse mês na AJOTE.

Vamos?

=D


PS: mais informações (o cartaz de divulgação) aqui no blog do Cristovão Petry.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um livro de três poetas


Tem livro que dá vergonha de resenhar. Começamos a falar dele com receio, sentindo a impressão de que não conseguiremos traduzir num texto breve e limitado, toda a grandeza da obra. É com esse sentimento que escrevo sobre "Os encontros de um caracol aventureiro e outros poemas de Federico García Lorca". Que livro maravilhoso!
O livro é composto por sete poemas. 5 pequenos e 2 maiores. A edição é muito boaº - grande parte do mérito se deve às ilustrações de Odilon Moraes que permeiam todo o livro. Outra boa escolha foi a de colocar os poemas no original espanhol, ao fim do livro, para suscitar a curiosidade dos leitores.
A tradução é do poeta José Paulo Paes¹, um dos mais sensíveis e inteligentes poetas brasileiros - escreveu poesia adulta e adultantil.
Quanto aos poemas, são muito lindos. O mais longo, presente no título do livro, é - sem dúvida - o mais belo texto do livro. A história de um caracol, habitante da vereda, que decide, numa manhã quieta, adentrar no mato para chegar ao final da senda. Pode-se dizer que o poema trata-se de uma narrativa (cheia de poesia). E a cada encontro do caracol com outros bichos, surgem mais um (dois, três...quatro...) poema(s), como se existissem vários poemas dentro de um só poema.

Sinto que não estou sendo claro. Por isso, boto aqui um trecho do poema, em que o caracol encontra um bando de formigas arrastando, sem piedade, uma companheira ferida. Então o caracol questiona o porquê daquilo. Eis a resposta:

A formiga, meio morta,
diz com muita tristeza:
"Eu avistei as estrelas"
"Mas que são estrelas?", diziam
as formiguinhas inquietas.
E o caracol pergunta
pensativo: "estrela?"
"Sim - continua a formiga -,
avistei as estrelas,
subi à mais alta árvore
que existe na alameda
e vi milhares de olhos
dentro das minhas trevas"


Enfim, esse trecho se estende, e a vontade de botar ele na íntegra é imensa. Mas só esse pedaço serve para ilustrar o que eu queria dizer: nos diálogos dessa narrativa, desse grande poema, vão surgindo outros poemas, resultando num texto maravilhoso.
Todo encontro do caracol lhe traz novas ideias e ele vai refletindo sobre sua busca (o fim... as estrelas... uma busca pelo eterno, pelo infinito... e ele começa a achar tudo tão longe... e ele se acha tão lerdo...). Desanimado, sob um sol fraco e uma neblina fina que deixam o céu brumoso, o caracol - "burguês pacífico da senda, aturdido e inquieto, contempla a paisagem". Assim termina o poema. Nas reflexões do caracol, estão presentes sentimentos dolorosos como o tédio e a angústia. Trazer isso para as crianças, de uma forma tão bela, é uma proeza de Lorca.
O outro grande (tanto em tamanho, quanto em qualidade) poema do livro é muito diverso desse último. Chama-se "Cena do tenente-coronel da guarda civil". Aqui, Lorca escreve de fato uma cena, aos moldes de um texto teatral (destaque para as marcações de cena recheadas de poesia). Na cena, o tenente-coronel aparecendo exercendo seu poder hierárquico sobre o sargento. O tenente-coronel é presunçoso e irritadiço. O sargento apenas assente a tudo o que o tenente-coronel diz.
Essa cena traz nitidamente uma crítica ao regime fascista que, comandado por Franco, assolou a Espanha, a terra de Lorca. Em dado momento, entra em cena um cigano (povo pelo qual Lorca era apaixonado) a cantar. O tenente-coronel, irritado, exije ao sargento a presença do cantor. No encontro, dois mundos opostos: o cigano alegre e despreocupado e o militar nervoso e ridículo. Às perguntas ríspidas dirigidas pelo militar, o cigano responde cheio, tranquilo, com muita poesia. Com as respostas simples e poéticas do cigano, a raiva do militar aumenta cada vez mais, até que o velho cai duro no chão. Aqui, o cigano representa a poesia e o militar, o poder ditatorial. Uma metáfora para dizer que a poesia vence toda a maldade, a covardia e a ignorância, pois é eterna. O cigano não deixa de cantar nem mesmo quando apanha dos outros soldados. Porque é um poeta como Lorca, que nunca deixou de cantar. E foi morto por isso (Lorca foi fuzilado em 1936 por para-militares fascistas - não exatamente a mando de Franco).
Sobre as ilustrações, Odilon Moraes faz um trabalho excepcional. No primeiro poema - o do caramujo - a ilustração é uma graça, com cenas belíssímas da natureza, onde predominam o verde e o roxo. No poema "Cena do tenente-general da guarda civil", o militar é desenhado com toda a sua "altura" (mas é magro, feio e velho) e com todas as estrelas e cruzes de que se gaba. Já o cigano é vivo, com seu brinco, seu violão e sua rosa. Com seu sorriso sempre aberto, o cigano é a própria rosa.
Outra beleza de ilustração estão nos poemas "Meia lua" e "Búzios":

MEIA LUA

Anda a lua pela água
Como o céu está tranquilo!
Vai ceifando lentamente
o velho tremor do rio
enquanto um ramo inda jovem
a toma por espelhinho.

BÚZIOS
(a Natalita Jiménez)

Me trouxeram um búzio.

Dentro dele canta
um mar de mapa.
Meu coração se enche de água
com peixinhos
de sombra e prata.

Me trouxeram um búzio.


Como são poemas curtos, eles estão lado a lado, um na página esquerda e outro na direita. E Moraes, fazendo poesia, faz apenas uma ilustração onde o mar e o rio estão juntos. Onde o reflexo da lua, a sombra do ramo e os peixes de sombra e prata dividem a mesma água.² A mesma ideia - uma ilustração única para dois poemas - também acompanha os poemas "Canção boba" (que de boba não tem nada, ao falar dos desejos de um filho ofuscado pelo senso de proteção de uma mãe) e "É verdade".
Vergonha de resenhar eu até perco. Mas ainda assim é difícil. Há muito do que falar: do poeta que escreveu, do poeta que traduziu e do poeta que ilustrou.³ Posso dizer que é um livro sensível para onde quer que se olhe. Um encontro com a poesia. Uma aventura: enveredar pelas palavras. Recomendo a leitura a todos.

Notas:

º LORCA, Federico García. As aventuras de um caracol aventureiro e outros poemas. (Trad. de José Paulo Paes). São Paulo: Ed. Ática, 2002.

¹ Paes se mostra cuidadoso logo no prefácio. Ao falar do mais conhecido livro de Lorca - Romancero Gitano - ele traduz o título para Romanceiro cigano. (Manter a palavra gitano, exigiria uma explicação - não curta - sobre esse povo originário da Andaluzia. E num livro de poemas infantis, o prefácio deve ser um convite, não muito longo. Afinal, o que importa são os poemas.

² Reparem como Moraes foi sagaz, afinal esses dois poemas tem imagens que casam muito bem: numa, peixes de sombra e prata e, na outra, a sombra do ramo e lua (que tem cor de... prata)

³ Aqui cabe a observação de que, obviamente, cada um é poeta ao seu modo, e o meu comentário é figurado. Lorca é o criador original dos textos. Paes traduziu (e traduzir é também um ato criativo) e Odilon fez poesia, mas com cores, ao ilustrar os textos de Lorca.




Mais sobre Lorca? Clique aqui

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Histórias são luz ante os olhos do leitor

“A história de Despereaux”, de Kate DiCamillo, é a história de um jovem camundongo, bem diferente dos padrões de sua espécie, que não se identifica com a rotina dos camundongos e prefere ler romances de cavalaria na biblioteca real do castelo onde vive. Um dia, Despereaux visita os aposentos da princesa (humana) Ervilha, que estava ao lado de seu pai - o rei - ouvindo-o tocar uma música ao som do violão. A partir de então, Despereaux apaixona-se por música e pela princesa, e enfrenta todos os desafios para protegê-la. Mas como castigo pela ousadia de ter contato com humanos, o conselho dos camundongos decide mandá-lo para o mundo dos ratos – o calabouço. Esta, também é a história de um rato chamado Roscuro, que vive na escuridão do calabouço, mas que deseja um mundo cheio de luz e quando sobe ao castelo em busca de luz, cai acidentalmente no prato de sopa da rainha, esta tem um ataque do coração e morre, levando o rei a proibir sopas e a banir os ratos e camundongos do reino. E é a história de uma criada chamada Migalha Sementeira, uma triste menina com orelhas em forma de couve-flor que deseja muito ser princesa algum dia e que sonha ocupar o lugar de Ervilha e, para tanto, contará com a ajuda de Roscuro.
Esses personagens embarcam numa viagem que os leva a um horrível calabouço e a um castelo e, finalmente, para dentro da vida uns dos outros.
É uma história que pode ser considerada como um moderno conto de fadas, tecida num labirinto de muitas outras histórias de aventura, coragem, amor, vingança, perdão e de esperança na vida dos personagens que se encontrarão nos espaços iluminados do castelo e nas profundezas sombrias do calabouço.
O mergulho dos personagens entre a luz e a escuridão nos mostra o percurso interno de aprendizagem de cada um deles. O castelo, o ambiente principal da história, é dividido entre as luzes dos grandiosos salões, a penumbra da cozinha e a escuridão do calabouço.
O livro traz belas ilustrações em preto-e-branco de Timothy Basil Ering, onde evoca os principais encontros entre os personagens da história. Percebe-se claramente que seus traços são empregados delicadamente com o grafite. Suas imagens intercalam-se ao texto e são margeadas pelo branco da página em que, abaixo, inscreve-se uma legenda.
O livro é dividido em quatro capítulos que acompanham a história de cada um dos personagens principais: Despereaux, Roscuro, Migalha Sementeira e a Princesa Ervilha.
A autora faz questão de deixar claro que está contando uma história. Fala ao leitor o tempo todo, discute idéias com ele, esclarece desde o significado de palavras que são supostamente mais difíceis até o significado das consequências de decisões éticas. Sabe que é um leitor que precisa ser instruído, mas que é capaz de aprender. Tal estratégia muito facilita a compreensão de idéias.
A autora conseguiu construir uma história com muita pureza e uma profundidade singela e delicada. Além da delicadeza do estilo, DiCamillo conseguiu revelar com muita clareza as ambivalências dos sentimentos, os “mapas dos corações” de cada personagem. Dessa forma, as ações do vilão (Roscuro) podem ser perdoadas, ou ao menos, compreendidas, pois a autora mostra que sua motivação é inocente, ainda que suas ações sejam condenáveis. Esta história fala do respeito às diferenças e procura não estigmatizar heróis e vilões, nos mostrando que esses papéis não são definitivos.
A história de Despereaux é trabalhada entre dois níveis. No primeiro, a ação do camundongo (herói), como modelo positivo, ele reúne além das orelhas enormes, as qualidades (franqueza, bondade, um coração sem tamanho e coragem maior do que sua altura) que contrasta com a ação de seus antagonistas, Roscuro (um rato que sendo incapaz de alcançar a luz do mundo luminoso acima do calabouço onde vive, tenta escurecer a vida das outras criaturas) e Mig (a criada que deseja, a qualquer preço, ser princesa). Esses dois personagens são modelos negativos para as crianças, aquilo que, espera-se, elas não devem se tornar, mas isso não impede DiCamillo de tratá-los com compaixão e apresentar-lhes as motivações e traumas que os impulsionaram a praticarem o mal. No outro nível está a bem-humorada narração de Kate DiCamillo.
É interessante observar a simetria que ocorre entre Despereaux e Roscuro, pois tanto a descida do camundongo ao calabouço, quanto a ascensão do rato aos salões iluminados do castelo acabam por aproximá-los e os antagonismos entre eles são desfeitos.
Esse não é um final óbvio em um livro infanto-juvenil, até mesmo porque não se trata de um livro óbvio. O final não é do tipo “para sempre”, mas sim uma situação de retorno a um equilíbrio que não é garantido.
A história de Despereaux é daquelas obras que estão repletas de mensagens importantes sobre a necessidade de nos assumirmos como somos, e também vemos desenhar-se alguns temas bem adultos, como por exemplo, o abandono dos pais e a capacidade de perdoar.
Vale ressaltar que Despereaux se salva da morte no calabouço por ter uma história para contar. E como lhe diz Gregório, o carcereiro do calabouço: “Histórias são luz. A luz é preciosa num mundo tão escuro. Comece do começo, conte uma história para Gregório. Faça alguma luz.” E agora eu pergunto: por que será que gostamos tanto de histórias?

DICAMILLO, Kate. A história de Despereaux. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A casa da madrinha


Escrito por Lygia Bojunga, "A casa da madrinha" conta a história de Alexandre, menino pobre, morador da favela carioca, que parte numa viagem em busca da casa de sua madrinha. A realidade do menino é opressora: a família o pressiona a deixar a escola (um dos poucos espaços em que o menino alimentava sua imaginação) para vender guloseimas na praia e assim ajudar com o orçamento familiar, que cada vez mais se aperta. O maior amigo do menino é Augusto, o irmão mais velho, que o apóia e faz de tudo para manter o menino na escola. Mas chega a hora em que não dá mais para protelar isso, e Alexandre deixa a escola. Então, numa conversa, Augusto conta para o irmão da existência de uma madrinha que o menino não conhecia. Essa madrinha tinha uma casa maravilhosa, onde se realizam todos os desejos. Uma casa com conforto, num lugar bonito e alegre, onde há tempo de sobra para brincar e ser feliz. Não se trata de uma simples casa, e sim de um convite à fantasia; à fantasia que a realidade dura tenta ofuscar.
Quando o irmão Augusto troca de cidade por conta do trabalho, Alexandre se sente sozinho, já que seu ambiente familiar é de pouco diálogo. Assim, decide partir em busca de seu sonho. Joga tudo para o alto e parte.
E parte sozinho. E sem medo. No caminho, seu destino se cruza com o Pavão, bicho curioso, que tem uma história tão difícil como a do menino.
Bojunga, com sua linguagem dinâmica, abre a história com Alexandre e Pavão já na estrada, fazendo shows para arrecadar comida e dinheiro. No show eles conhecem Vera, menina que vive em realidade bem diversa (área rural, com um ambiente familiar estável, economicamente). Para Vera -que mesmo diferente de Alexandre, compartilha dos mesmos sonhos e desejos que ele - o menino vai contando a sua história e a do Pavão. Alexandre é um menino de histórias. E Lygia Bojunga também: faz desfilar diante do leitor uma gama de personagens curiosos como a Gata da Capa, o Seu Joca do pandeiro entre outros.
A autora usa o recurso fantástico em sua narrativa (há o Pavão e a Gata que falam, os meninos inventam coisas com o pensamento) e faz muito bem, pois é disso que se trata a busca de Alexandre: da busca da fantasia, do encontro consigo mesmo, do encontro com o menino sonhador e criativo que ele é. A viagem de Alexandre não se trata de uma fuga, de uma alienação. Buscar a casa da madrinha (que o irmão Augusto define como uma graça de lugar, uma casa mágica, onde os desejos se realizam) é buscar a fantasia. E a imaginação, a fantasia nada tem de alienação. Quem se aliena cai no nada, ou no escuro (em dado momento, Alexandre, Vera e o Pavão se defrontam com o escuro e eles o vencem). E quem fantasia vive outro mundo, recria a realidade.
E ao recriar a realidade, eles amadurecem. Aprendem. Trata-se uma viagem em busca da fantasia que não deve nunca adormecer nas pessoas. Ao dizer isso, estou falando da viagem de Alexandre e seus amigos até a casa da madrinha, mas essas palavras servem também para outra viagem: a viagem fantástica que faz quem lê “A casa da madrinha”, de Lygia Bojunga.

sábado, 19 de setembro de 2009

"a poesia está na dor"



Essa moça aí da foto é Ana Cristina César.

Ana C. ficou conhecida por ser uma das principais poetisas da geração de "poetas marginais", na década de 70, junto com Chacal, Armando Freitas Filho, Chico Alvim e outros. Ana cometeu suicídio aos 32 anos.
Estou lendo "a teus pés", um dos poucos livros deixados por ela. Começou a escrever muito cedo (diz-se que aos quatro anos já ditava para sua mãe escrever). Outro exemplo do talento precoce de Ana é o poema abaixo, "a terceira noite", escrito aos nove anos. Nove! E é de impressionar a genialidade da menina.


¹A TERCEIRA NOITE

Era uma terceira noite.
O giroscópio girava girando.
Minha gravata balouçava no ar.
Meus guizos tocavam tocando.
Meu coração batia batendo.

Subi as escadas da noite.
Desci as escadas do dia.
Fui descendo para cima,
E subindo para baixo!

Mas num dado momento,
Eis que sibila o vento
As escadas se corrompem
O quarto dia despenca
E a nova noite aqui fica

Em, "a teus pés", o estilo de Ana é veloz, pulsante e reflete seu modo de viver (ana viajou, estudou e leu muito). Nos poemas as ideias se sobrepõe, imagens se cruzam. Desses encontros, surgem novas ideias. Ninguém melhor para explicá-lo (e defendê-lo) do que a própria Ana:

²ESTE LIVRO

Meu filho. Não é automatismo. Juro. É jazz do
coração. É prosa que dá prêmio. Um tea for two
total, tilintar de verdade que você seduz,
charmeur volante, pela pista, a toda. Enfie a
carapuça.
E cante.
Puro açúcar branco e blue.


****
Sua poesia - pela velocidade, e também pelo uso contante de expressões em inglês - me lembrou muito Oswald de Andrade. Mas cabe dizer que as principais influências dela foram outras: S. Plath, K. Mansfield e Emily Dickinson, leituras que ela trouxe de suas viagens à Inglaterra, quando jovem.
"a teus pés" é um livro que reúne o volume de poemas do título mais outras obras publicadas por ela como "Correspondência Completa" (prosa) e "Luvas de pelica" (poesia). Aliás, na obra de Ana C. é estranho separar sua prosa e poesia, diria até impossível. Não há essa diferença, como bem observou Caio Fernando de Abreu, o estilo de Ana é esse, de prosas poéticas e poesias proséticas. A maioria dos textos de "a teus pés" soam como confissões (a palavra não é bem essa). Quero dizer que, em seus textos, Ana C. é muito passional, entrega-se. É íntima, sem receio (logo, sua poesia tem muito de autobiográfica)
São muitos os trechos que deixam bem claro o caráter intimista da poesia de Ana:

"Tarde da noite recoloco a casa toda em seu lugar
Guardo os papéis todos que sobraram
Confirmo para mim a solidez dos cadeados
Nunca mais te disse uma palavra."

"Tantos poemas que perdi
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone, taí
eu fiz tudo pra você gostar
fui mulher vulgar
meia-bruxa, meia-fera
risinho modernista
arranhado na garganta"

"Sem você bem que sou lago, montanha
Penso num homem chamado Herberto
Me deito a fumar embaixo da janela.
Respiro com vertigem. Rolo no colchão.
E sem bravata, coração, aumento o preço"

Veloz e ousada - mas, ao mesmo tempo, muito elegante - Ana Cristina criou um estilo único, fator que diferencia os bons poetas dos demais.
Para terminar, mais um achado dessa poetisa apaixonante:

²CARTILHA DA CURA

As mulheres e as crianças são as primeiras que
desistem de afundar navios


************
Notas Inúteis:

¹Extraído de CÉSAR, Ana Cristina. Inéditos e Dispersos. Org. de Armando Freitas Filho.
²Extraídos de CÉSAR, Ana Cristina. a teus pés. Ed. Brasiliense. 4ª edição, 1978.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Agenda de Espetáculos do Mês de Setembro

SESC Apresenta

Dionisos Teatro em

A CÉU ABERTO

Data: 19 de setembro de 2009 – sábado
Horário: 13h30
Local: Mercado Municipal
Aldeia Palco Giratório
INGRESSOS GRATUITOS.

Sinopse
Tortonho, Nó Cego, Buchuda e Maneta despertam para mais um dia, sobrevivendo a céu aberto. São quatro personagens que, com a graça do clown, experimentam o medo, a solidão e as intempéries de se viver na mendicância. Utilizam suas histórias de vida e outras artimanhas para convencer as pessoas a lhes dar esmolas. Mas um acontecimento transformará os seus caminhos...

Indicação: A partir de 7 anos
Duração: 45 minutos
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SESC Apresenta

Dionisos Teatro em

BABAIAGA

Data: 22/09/2009 (terça-feira)
Horário: 9h30min e 14h
Local: Teatro do SESC Joinville
Aldeia Palco Giratório
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

Sinopse

A menina Vasilisa, após a morte da mãe e a viagem do pai, enfrenta árduos trabalhos impostos por sua madrasta. Ela é sempre acompanhada por uma boneca mágica, dada por sua mãe. Por ordens da madrasta ela deve enfrentar seus medos atravessando uma densa floresta em busca do fogo na casa da Babaiaga.

Sobre o Espetáculo

Trata-se de um conto de fadas russo. “Esta é a mensagem que os contos de fada transmitem à criança de forma múltipla: que uma luta contra dificuldades graves na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana que se a pessoa não se intimida mas se defronta de modo firme com as opressões inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará todos os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa.” (Bruno Bettelheim)
“Vasilisa” lida com o medo. Como na maioria dos contos de fadas os heróis e heroínas tem o medo como companheiro inevitável, e é nas profundezas do medo que surge o destemor e a consciência. No conto há o enfrentamento explícito com o medo, com a “caverna oculta”, com o desconhecido. Uma menina enfrenta sua madrasta e a terrível Babaiaga, a bruxa canibal habitante da misteriosa floresta escura. Vasilisa, a heroína conta em sua jornada, com sua boneca, seu talismã, que ganhou de sua mãe antes desta morrer. A parceria de Vasilisa e sua boneca é responsável pelas conquistas da menina, que enfrenta a bruxa, seus medos e recupera o fogo, a luz, que faltava em sua vida.

Indicação: A partir de 07 anos
Duração: 40 minutos
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DIVULGANDO:

Festival e Aldeias Palco Giratório 2009 entram em cena em SC.
Mais de 200 atrações culturais acontecem gratuitamente em Florianópolis e outras sete cidades do Estado – Joinville, Chapecó, Lages, Itajaí, Tubarão, Blumenau e Jaraguá do Sul -, de 1º a 30 de setembro


Em Joinville a ALDEIA PALCO GIRATÓRIO acontece a partir deste sábado dia 19/09, com 36 programações envolvendo apresentações de teatro, dança, música, Contações de Histórias, Poesia, Cinema, exposições de Artes Visuais, Mostra Fotográfica e 3 oficinas. Todas as atividades são gratuitas e a distribuição de ingressos acontece uma hora antes da programação no local onde ela ocorre.
Muito mais do que disseminar a diversidade estética da produção cênica nacional, o projeto Palco Giratório busca, por meio das chamadas “ALDEIAS”, criar territórios de efervescência e intercâmbio de conteúdo entre artistas locais e visitantes estimulando, por sua vez, a formação de público e a produção local não só de teatro e dança mas também nas demais linguagens artísticas, artes plásticas e outras manifestações.
Espetáculos por toda a cidade em diversos locais como o novo Teatro do SESC Joinville, Teatro Juarez Machado, Galpão de Teatro da AJOTE- Antarctica, Shopping Center Cidade das Flores, Praça do Mercado Municipal, Galeria de Artes do SESC Joinville e Galeria de Artes Victor Kursansew.

Programação:

SÁBADO:

Data: 19/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: A CÉU ABERTO -Dionisos Teatro – Joinville/SC
Horário: 13h30min
Local: Praça do Mercado Municipal (caso chova o espetáculo será transferido para o Teatro do SESC Joinville)
INGRESSOS GRATUITOS


Data: 19/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: RENATO, O MENINO QUE ERA RATO - Cia Carona de Teatro – Blumenau/SC Horário: 16h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Data: 19/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: HISTÓRIAS DE MALAZARTES – Rústico Cia Teatral – Joinville/SC
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 19/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: O VELHO DA HORTA - Cia Pequod Teatro de Animação – Rio de Janeiro/RJ
Horário: 19h30
Local: Galpão de Teatro da AJOTE – Cidadela Cultural Antarctica
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Data: 19/09/2009 (sábado)
CONCERTO: DEDO DE PROSA - Joinville/SC
Horário: 21h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

DOMINGO

Data: 20/09/2009 (domingo)
OFICINA “TEORIA E PRÁTICA NO TEATRO DE ANIMAÇÃO” – Cia Pequod Teatro de Animação – Rio do Janeiro/RJ
Na oficina Teoria e Prática no Teatro de Animação serão abordadas questões teóricas e práticas como a parte histórica, enfocando o desenvolvimento do Teatro de Bonecos através do seu enriquecimento técnico e temas inerentes a qualquer técnica e que são base para que o interessado aprenda as noções da manipulação de bonecos. Uma série de exercícios enfocará os princípios de nível, ponto fixo, eixo, mudança de dinâmica, neutralidade entre outros tantos focos de interesse.
Horário: 8h30 à 12h30
Local: SESC Joinville
INSCRIÇÕES PELO TELEFONE 3441-3305 (LIMITE DE 24 PARTICIPANTES)


Data: 20/09/2009 (domingo)
ESPETÁCULO: SAMSARA - Cia DiDois - Joinville/SC
Horário: 16h
Local: Galpão de Teatro da AJOTE - Antarctica
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Data: 20/09/2009 (domingo)
XIRÊ DAS ÁGUAS – ODOYA - Cia Gente Falante – Porto Alegre/RS
Horário: 20h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

SEGUNDA-FEIRA

Data: 21/09/2009 (segunda-feira)
OFICINA “A CONSTRUÇÃO DA FORMA E DO MOVIMENTO” – Cia Gente Falante – Porto Alegre/RS
Na oficina A Construção da Forma e do Movimento o ator e bonequeiro Paulo Fontes estará trabalhando técnicas de construção e manipulação de Bonecos de Vara, uma das técnicas utilizadas no espetáculo XIRE DAS ÀGUAS – ODOYA.
Horário: 8h à 14h
Local: SESC Joinville
INSCRIÇÕES PELO TELEFONE 3441-3305 (LIMITE DE 25 PARTICIPANTES)


Data: 21/09/2009 (segunda-feira)
PROGRAMADORA BRASIL – CURTAS INFANTIS
Horários: 9h30 e 14h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA


Data: 21/09/2009 (segunda-feira)
ESPETÁCULO: POESIA AO PÉ DA LUA – SESC Joinville
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 21/09/2009 (segunda-feira)
ESPETÁCULO: FILME NOIR - Cia Pequod Teatro de Animação – Rio de Janeiro/RJ
Horário: 20h
Local: Teatro Juarez Machado
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

TERÇA-FEIRA

Data: 22/09/2009 (terça-feira)
ESPETÁCULO: BABAIAGA - Dionisos Teatro – Joinville/SC
Horário: 9h30min e 14h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Data: 22/09/2009 (terça-feira)
ESPETÁCULO: 4 CONTOS PARA TEATRO DE BONECOS – Cia Gente Falante – Porto Alegre/RS
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 22/09/2009 (terça-feira)
ESPETÁCULO: CHOROS E VALSAS - Cia de Ballet de Niterói/RJ
Horário: 20h
Local: Teatro Juarez Machado
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

QUARTA-FEIRA

Data: 23/09/2009 (quarta-feira)
CINE SESC
FILME: O PEQUENO NARIGUDO
Horário: 9h30
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA


Data: 23/09/2006 (quarta-feira)
CINE SESC
FILME: A LENDA DA VIDA
Horário: 14h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA


Data: 23/09/2009 (quarta-feira)
ESPETÁCULO: FLORA E HORROROSIMBA NO MUNDO DAS HISTÓRIAS - Faunos Cia Teatral - Joinville/SC
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 23/09/2009 (quarta-feira)
CINE SESC
FILME: LAVOURA ARCAICA
Horário: 20h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA

QUINTA-FEIRA

Data: 24/09/2009 (quinta-feira)
OFICINA “CONSTRUÇÃO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS ALTERNATIVOS”
Oficina voltada ao público infanto-juvenil e ministrada pelo músico Fábio Kabelo de Joinville.
Horário: 13h30 às 17h30
Local: SESC Joinville
INSCRIÇÕES PELO TELEFONE 3441-3305 (LIMITE DE 25 PARTICIPANTES)


Data: 24/09/2009 (quinta-feira)
ESPETÁCULO: HISTÓRIAS (RE) CONTADAS – Carolina Spieker – Joinville/SC
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 24/09/2009 (quinta-feira)
ESPETÁCULO: SMOKED LOVE – Faunos Cia Teatral – Joinville/SC
Horário: 21h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

SEXTA-FEIRA

Data: 25/09/2009 (sexta-feira)
ESPETÁCULO: CONTOS E CANTOS – Ana Paula da Silva e Humberto Soares – Joinville/SC
Horário: 9h e 14h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Data: 25/09/2009 (sexta-feira)
ESPETÁCULO: CONTOS E CANTOS – Ana Paula da Silva e Humberto Soares – Joinville/SC
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 25/09/2009 (sexta-feira)
ESPETÁCULO: AUTO RETRATRO – Solo de Erika Rosendo – Joinville/SC
Horário: 19h30
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Data: 25/09/2009 (sexta-feira)
ESPETÁCULO: CELA DAS ALMAS – Em Cena Teatro – Joinville/SC
Horário: 21h
Local: Galpão de Teatro da AJOTE - Antarctica
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)

SÁBADO

Data: 26/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: BOM APETITE – Cia Pé de Vento – Florianópolis/SC
Horário: 13h30
Local: Praça do Mercado Municipal (caso chova o espetáculo será transferido para o Teatro do SESC Joinville)


Data: 26/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: TEM XENTE UMA FÉIS – Cia Alma Livre – Jaraguá do Sul/SC
Horário: 17h
Local: Shopping Center Cidade das Flores


Data: 26/09/2009 (sábado)
SHOW DE BANDAS LOCAIS

AO SOM, com Fábio Kbelo e convidados
Horário: 16h
Local: Praça do Mercado Municipal

DENTINHO e Grupo Arueira
Horário: 17h
Local: Praça do Mercado Municipal

CANELA BRASIL
Horário: 18h
Local: Praça do Mercado Municipal


Data: 26/09/2009 (sábado)
ESPETÁCULO: DE MALAS PRONTAS – Cia Pé de Vento – Florianópolis – SC
Horário: 20h
Local: Teatro do SESC Joinville
ENTRADA FRANCA
(Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo no local)


Visite também as exposições do SESC Joinville.


ESTENUAÇÃO DA PILHAGEM, ENTRE GANHOS E PERDAS
Local: Galeria do SESC Joinville
Visitação de Segunda a Sexta: 9h às 20h

PRETEXTO
Local: Galeria de Artes Victor Kursancew
Visitação de Segunda a Sexta: 8h às 12h e 14h às 20h

MOSTRA FOTOGRÁFICIA – ALDEIA PALCO GIRATÓRIO
Local: Corredor Central do Shopping Center Cidade das Flores
Visitação entre 18 e 27/09/2009 das 10h às 22h

Para outras informações 47 3441-3305 SESC
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DIVULGANDO:
A
Companhia de Teatro da SOCIESC
Apresenta o
Grupo Teatral Bytes & Parafusos em

Espetáculos: Descalças e Depois da Montanha Azul
Local: Anfiteatro da SOCIESC
Data: 25 de Setembro
Horário: 19h30
Ingresso: R$ 2,00
Duração: 25 Minutos

Descalças:

Direção: Silvestre Ferreira

Sinopse

A Cia. de Teatro Sociesc apresenta a peça "Descalças" produzida pelo Grupo Bytes & Parafusos, composto por estudantes da instituição, sob direção de Silvestre Ferreira. A partir de textos literários, poemas e textos da equipe de estudantes, construiu-se um espetáculo visual e onírico que aborda o universo feminino em suas mais variadas formas e sentimentos.O grupo mergulhou numa série de exercícios criativos a partir dos sonhos, pesadelos e mulheres referência do elenco para a construção de um espetáculo calcado em textos do universo feminino.O corpo e a voz estão a serviço da musicalidade e da palavra, criando sinergia e magia por meio da representação que instiga a platéia para refletir sobre o misterioso e maravilhoso mundo feminino.
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Depois da Montanha Azul

Direção: Eduardo Campos.

Sinopse
O espetáculo é uma adaptação do livro de mesmo nome de Christiane Gribel. A peça conta a história de uma pequena cidade ao pé de uma montanha, a montanha azul. Existe uma proibição na cidade que diz que ninguém pode subir a montanha. Uma menina, dizendo ter encontrado um viajante, conta para sua mãe que do outro lado da montanha azul existe um lugar maravilhoso. A história chega até os ouvidos do prefeito e a cidade inteira, após grande discussão, decide subir a montanha para ver o tal lugar maravilhoso. Após grande esforço para chegar até o topo, os cidadãos têm uma grande surpresa ao encontrar com o viajante.
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DIVULGANDO:
A Companhia de Teatro da Univille

Apresenta

“O Quadro das Maravilhas”

SEMPRE COM ENTRADA FRANCA

SETEMBRO

Dia 19 às 16h, Na Semana da Comunidade do Centro Social Urbano do Bairro Iririú

Dia 26, às 14h, em parceria com a AJOCIRCO, na Estação da Memória

OUTUBRO

Dia 03 às 13h, no Mercado Público de Joinville (Em caso de chuva o espetáculo ocorrerá na área interna do Mercado)

Dia 17 às 15h, no Galpão da Igreja São Domingos Sávio, no Bairro Jardim Paraíso

Dia 24 às 16h, na Associação de Moradores do Bairro Itinga

NOVEMBRO

Dia 14 às 13 h, no Sábado Cultural da Fundação 25 de Julho, em Pirabeiraba

Dia 21, às 15h, na Festa das Flores

Dia 28, às 15h30min, no Sábado Cultural do Bairro Vila Nova. Local: Secretaria Regional do Bairro Vila Nova

Obs.: A Trilha Sonora deste Espetáculo foi criada pelos atores e músicos da Dionisos Teatro Andréia Malena Rocha e Vinicius José Puhl Ferreira.

Esta programação está sujeita a alteração em caso de chuva. Maiores informações: 34619121/ 96079796 (UNIVILLE) ou 34332190/ 84323872 (Fundação Cultural de Joinville).

sábado, 5 de setembro de 2009

Afinal, quem está no front de batalha?

CALI, Davide & BLOCH, Serge. O inimigo. São Paulo: Cosac Naify, 2008.

Esta obra singular de Davide Cali e Serge Bloch traz um texto leve e belo. Palavra e imagem se convergem, e seguem além do diálogo entre frases e ilustrações.

Os personagens são dois soldados que estão em uma trincheira no front de batalha. O livro retrata com minúcia as condições físicas e psicológicas destes soldados: a comida é escassa, a comunicação com o mundo é rara e esse isolamento torna-os inseguros e depressivos.

Ao descrever o inimigo, o soldado-narrador afirma que a única coisa que os dois têm em comum é a fome. “As diferenças entre nós são enormes. Ele é um animal selvagem, não conhece a piedade. Ele mata mulheres e crianças.” Esse trecho vem acompanhado de um desenho disforme, na cor vermelha, representando a idéia confusa que o soldado faz do inimigo: “O inimigo não é um ser humano.”

Os responsáveis pela guerra treinaram seus soldados por meio de um manual que supostamente contêm tudo o que eles devem saber. Nas ilustrações, o manual destaca-se pela cor vermelha e há informações de como e porque o soldado deve liquidar seu inimigo. Ou seja, a guerra é executada por aqueles que não conhecem seus inimigos e obtém informações arbitrárias de um militar superior.

Os soldados refletem sobre a guerra. Sabem que ela “não serve para nada e que é preciso terminá-la.” Somente “os que comandam” sabem como acabar com aquele conflito, mas eles ficam distantes do front – onde a guerra acontece – e nem imaginam como é urgente o seu fim. Eles simplesmente ordenam; nunca terão de conviver com a dor de ter tirado uma vida.

No trecho em que o soldado decide acabar com o confronto, indo disfarçado ao buraco do inimigo para matá-lo e finalmente voltar para casa e rever sua família (não pelos ideais do seu país), ele encontra um leão. Mas esse leão na verdade era seu inimigo disfarçado.

Ao chegar no buraco do inimigo e ver que está vazio, o narrador percebe que eles têm os mesmos mantimentos e o mesmo manual que diz que o inimigo a ser combatido é perigoso e cruel: “Mas eu não sou assim, não sou um monstro.”

Enfim o soldado descobre que seu inimigo também quer somente acabar com a guerra e voltar para casa. Eles são iguais. Ambos querem paz e não concordam com a guerra. Então, por que lutam?

As fotos presentes nas ilustrações são reais, pois devem existir soldados iguais aqueles do livro, que são desenhos e fazem parte de um universo fictício. O leitor relaciona a história com a realidade, com o mundo. O livro proporciona reflexão fazendo com que o leitor possa modificar sua visão de mundo.

Nunca haverá justificativa para uma guerra, pois vidas inocentes sempre serão sacrificadas em prol de um ideal insano. Todas as guerras são cruéis e desumanas; líderes a levantam, empresas a financiam e quem morre são homens, mulheres e crianças inocentes. Como o autor diz no início do livro, a guerra que continua é só uma: a guerra do homem contra a fascinação pelo poder.
(Daiane da Silva)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Desafiando Gigantes


SWOPE, Sam. João e os sete gigantes mortais. São Paulo: Cosac Naify, 2008.


A literatura infantil pode e deve ser vista como uma arte, pois representa o mundo através da palavra; pode unir o real e o imaginário, o possível e o impossível.

Os textos literários voltados para o público infantil foram escritos há alguns séculos, e retratam um mundo fantástico, de sonhos e encantamentos. Porém, eles permitem que as crianças vivam, por meio dos contos, situações-problemas e conflitos e, a partir daí, tentem construir conceitos que auxiliarão em sua formação ao longo da vida.

Partindo-se deste pressuposto, o livro “João e os Sete Gigantes Mortais”, de Sam Swope, chegou para renovar a estrutura dos contos de fadas, pois mostra de uma forma bem divertida, instigante e provocante um herói às avessas.

Desde que João foi abandonado, ainda bebê, carregava a fama de menino mau da aldeia. Sempre estava metido em alguma encrenca ou confusão. E tudo acontecia sem ele querer. E a culpa sempre era sua.

Mas as coisas se complicam quando chega a notícia de que sete gigantes mortais se aproximam do povoado, João leva a culpa e então, resolve partir para que a aldeia fique a salvo. Caminhando sem destino, João encontra pelo caminho um sujeito esquisito que lhe dá de presente um feijão mágico. Um feijão que realiza desejos. O garoto faz então seu pedido de criança solitária: “Quero minha mãe!”. Mas, ao seu lado, surge apenas uma vaca. Desiludido, João segue viagem com sua nova companheira.

Pelo caminho, João acaba enfrentando os gigantes que querem fazer dele um picadinho malpassado, que personificam os sete pecados capitais: O Poeta Gigante (a preguiça), O Terrível Guloso (a gula), Dona Iracúndia (a ira), O Cocegão Selvagem (a luxúria), Avarico (a avareza), Orgulha, a Grande (a vaidade) e a Rainha verde (a soberba).
João se mostra, então, corajoso, esperto e muito inteligente. Com astúcia e capacidade de surpreender, o menino consegue vencer os sete gigantes, sem usar força física ou violência, mas o curioso é a forma positiva como o personagem lida com os problemas e obstáculos.

Cheia de humor e irreverência, a narrativa nos transporta a combates divertidos e apavorantes, completada com as ilustrações extraordinárias dos temíveis monstrengos gigantes de Carll Cneut.

É por meio desta trama inusitada e singular que o autor Sam Swope aborda temas fundamentais na formação infantil: amor, autonomia, superação de obstáculos, justiça e solidariedade.
Swope buscou em diversas fontes literárias, tudo o que lhe pudesse render inspiração para tratar de “grandes questões da vida”, foram referências que ganharam uma roupagem original, sempre com muito humor. A história criada por Swope possui um pé nos contos de fadas, simbolizado por elementos dos contos tradicionais (feijões mágicos, rainhas más, maçãs, princesas aprisionadas) e outro em alusões bíblicas.

Podemos associar de alguma forma este João a outros Joões dos contos tradicionais e suas histórias.
O enredo trazido pela história “João e Maria” traduz a realidade de muitas crianças. Os pais pobres, não sabem como poderão cuidar dos filhos e decidem abandoná-los na floresta.
João e Maria tentam encontrar o caminho de casa, vencer uma bruxa que pretende devorá-los são algumas atitudes que eles devem incorporar para conseguirem liberdade.

A trama da história “João e o Pé de Feijão” ocorre num ambiente mágico e ao mesmo tempo real. A mãe de João vendo que a comida e o dinheiro haviam acabado pede ao filho que vá até a cidade para vender a única vaca que tinham e que já não produzia leite. No caminho, João troca a vaca por feijões mágicos.
Aproveitando a sugestão de “João e o Pé de Feijão”, Swope utiliza a vaca como um poderoso símbolo maternal de ternura e afeição.

Dá para notar uma grande semelhança entre este João e o dos gigantes mortais, pois os dois agem com astúcia e coragem ao enfrentar os gigantes. Além disso, os dois Joões levaram um prêmio ao fim da história. Enquanto um ganhou uma harpa mágica e uma galinha que bota ovos de ouro e, com isso, consegue ficar rico, o outro, finalmente encontrou sua mãe e arranjara um lar onde era querido.

O desafio do leitor é encontrar nas entrelinhas outras histórias de gigantes da literatura.
São muitas as costuras feitas por Swope para que as crianças sejam instigadas em sua vivacidade e, ao mesmo tempo, respeitadas em sua integridade – como é o caso do tratamento dado à luxúria, “pecado” que ganhou uma cuidadosa e bem-humorada metáfora.

Em suma, este livro é moderno e original, e suas ilustrações dão o tom do capítulo que virá e estão em completa harmonia com a história, desafiando e estimulando a fantasia do leitor. As ilustrações de Cneut merecem, por si só, a leitura do livro, ainda que o texto seja também de elevada qualidade. Pois seus traços vão dando vida aos personagens deste livro, personagens apavorantes e marcantes, como é o caso dos gigantes e que despertam a capacidade criativa e imaginativa das crianças.


Daiane da Silva

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Contendo a multidão

Calma, pessoal! As novas postagens irão aparecer. Não se afobem. Logo, logo... só mais uns diazinhos...

=D

By Daiane

domingo, 23 de agosto de 2009

Um tour pelos sebos de Joinville

Aos que gostam de livros, e mais ainda, aos que gostam de comprar livros aqui em Joinville, deixamos aqui alguns comentários sobre alguns sebos dessa cidade, que é cada dia mais cultural. Nas ruas, na TV e na Internet (através de blogs e sites) crescem as manifestações de cultura. Bom de ver, isso.
E para o povo que gosta de literatura, seguem abaixo algumas dicas. Experiência própria de Eduardo e Daiane, dois viciados em sebos!
(A ordem numérica é aleatória: não representa preferência.)
É importante observar que o sebo, como todo comércio, vai sofrendo modificações em seu estoque e em sua estrutura, logo é possível que algumas das nossas observações já não façam tanto sentido. Mas a maioria faz, então, recomendo a leitura! :)
Outra coisa: também demos notas para os sebos, porque... porque é legal! 
Mais uma coisa (a última!): Nós dois não temos ligação com nenhum desses sebos, seja ela familiar, fraternal ou comercial. Resumindo: não estamos ganhando nada com esses comentários, nem fazendo favor a ninguém. O único intuito é compartilhar nossa experiência com os demais viciados em sebos!


1- Sebo *** (nome desconhecido) - Esse sebo fica na rua Dona Francisca, ali no primeiro piso de um sobrado. No segundo andar funciona a Junta Militar. Pois então, esse sebo é o mais desorganizado de todos. Isso, num primeiro momento é bom, pois se procurarmos podemos encontrar preciosidades que os preguiçosos não acham. No entanto, essa bagunça não é muito legal. O ambiente é pequeno e pouco arejado, a atmosfera é de puro mofo. Muitos dos livros estão empoeirados e amarelados (coisa de que o Eduardo odeia, enquanto a Daia não se importa muito). Quanto à qualidade dos livros, há muitos best-sellers, didáticos e livros - de qualidade duvidosa - em línguas estrangeiras, principalmente o alemão e o inglês. Já a literatura brasileira é representada, basicamente, pelos clássicos José de Alencar, Jorge Amado, Joaquim Manuel de Macedo, enfim, nada que não se possa encontrar em outro sebo, e em edição bem mais bonita. Ah, mais uma coisa. O preço é regular, o da média. E alguns títulos são mais caros do que mereciam ser.
Mas esperem! Apesar disso tudo, isso não é um conselho para não visitar este sebo. Afinal, vai que numa dessas encontra-se lá, um livro que não tem em nenhum dos outros? Vai saber!
Mas, dos sebos joinvilenses aqui elencados, é o pior.

Nota: 5

2- Banca Colin - Esse, como o nome sugere, fica no início da Rua Dr. João Colin. É um sebo interessante, o espaço é amplo, bom de caminhar nele. As prateleiras de Literatura estrangeira e brasileira são organizadas por seções e estão em ordem alfabética (nome do autor), um dos poucos sebos que procedem assim. Para quem gosta de revistas, tem alguns títulos interessantes, alguns de coleções, sobre filosofia, ciência e educação. Além de revistas como a Língua Portuguesa, Entre Livros e a Discutindo Literatura. O preço é bem bacana.
Quanto aos livros, o preço é justo. A maioria varia entre 4 e 10 reais. É um pouco escasso o seu acervo de materiais teóricos sobre Teoria da Literaura, Gramática e Linguística. Mas, de literatura, o acervo é bem interessante.
A maioria das edições são boas e além dos tradicionais clássicos da literatura brasileira, encontramos bastante autores contemporâneos. Quanto ao fato das prateleiras de literaturas serem organizadas por ordem alfabética, é importante observar que é comum encontrarmos livros fora do devido lugar (na letra errada).
Nesse sebo também se encontram livros de autores brasileiros na seção de lit. estrangeira, menos pelo descuido dos funcionários do que pela mania dos visitantes em bagunçar tudo. :P
A seção de lit. estrangeira tem ótimos autores. Dos contemporâneos aos clássicos. De famosos a esquecidos. De Daniele Steel a Zola. De Philip Roth a Turgueniêv. Tem de tudo. (maldita publicidade e seus slogans, escrevi isso e me lembrei das lojas Milium, hahaha)
Enfim, esse sebo é uma boa pedida.

Nota: 9

3- Livraria O Sebo - Essa também fica na João Colin, só que um pouco mais para "cima" (Um pouco antes do Giasse). Pois bem, chama atenção a denominação "livraria", já que a maioria dos livros são usados. Mas isso é só detalhe, afinal, sebo também é lugar de vender livros. Podemos dizer que esse sebo possui o acervo mais vasto, e o mais interessante de todos. Está recheado de preciosidades: literatura brasileira, estrangeira, além de outros campos de estudo como Economia, Teoria da Literatura, Psicologia e Educação. Lá você encontra livros que não existem nos outros. O ambiente é agradável e espaçoso. O único "porém" é quanto aos preços dos livros: este é o sebo mais caro de Joinville. Alguns títulos, que em outros vc compra por 7, 10 reais, ali são vendidos por 20. Há livros ótimos, até raros, podemos dizer. Mas a maioria são caros. Vale a pena comprar lá se você estiver realmente precisamente de certo livro, ou se ele é difícil de encontrar, pois os preços não são muito convidativos.
Entretanto, há uma ressalva a ser feita: apesar da maioria dos títulos terem um preço maior do que o habitual, há outros (são poucos, mas existem) que estão com bom preço, ou seja, abaixo do valor habitual (seriam valores desatualizados?).
Por isso, recomendamos aos visitantes que vasculhem bem, olhando muitas e muitas etiquetas de valor dentro dos livros.

Nota: 9
Merecia 10 pela qualidade, mas para avaliar um sebo, bom preço é fundamental!


4- Sebo Universo Cultural. Esse fica na rua Engenheiro Niemeyer (em frente aos bancos Besc e Bradesco Prime), ali no Centro. Também é um sebo bem interessante. O ambiente é limpo, bem iluminado e o espaço para percorrê-lo é bom. Há um acervo interessante de Sociologia/Política. Há bons CD's e discos de Vinil. Quanto aos livros, eles estão num preço justo. (embora alguns estejam acima do conveniente, mas são exceções). Há também uma seção relativamente boa de Infanto-Juvenil. A seções de Gramática/Litetura, Jornalismo e História possuem, quase sempre, obras interessantes (leia-se raras). É bem guarnecida também de literatura adulta: tanto a brasileira como a estrangeira são bem representados por clássicos e lançamentos. Esse sebo também possui a seção de Biografias mais completa, entre os sebos aqui listados. Pequena, é claro, mas contém alguns livros interessantes.
Enfim, um bom sebo.

Nota: 9

5- Sebo Princesa Izabel - Esse sebo está localizado na quase-esquina (entre uma lanchonete e um estacionamento) da Princesa Isabel com a Dona Francisca. É bem pequeno, bem como é pequeno o seu acervo de livros. Livros teóricos não é o forte desse sebo: são poucos os interessantes, a respeito de Artes, Literatura, Gramática, História e outras artes. Há alguns bons livros de Literatura Brasileira, mas a maioria são os tradicionais clássicos da nossa literatura, que se encontram em qualquer lugar.
Enfim, um sebo simples, com pouco destaque.
(Não é bem assim. Vide abaixo)
Nota: 6

PS: Rubens tem razão em seu comentário (é como eu disse, a tendência é que essa postagem esteja sempre desatualizada... fazer o quê). Seguindo sua dica, voltamos ao Sebo Princesa Izabel e vimos alguns livros bem interessantes lá que chegaram recentemente. Levamos algum, mas ficaram coisas muito boas, destaque para duas antologias de Murilo Mendes e Jorge Lima, com edições bem interessantes.
Nota nova para o Princesa Izabel: 7